Vontade de Vida

Uma resenha pessoal extremamente humilde sobre este conceito fantástico deste filósofo de relevância impar sobre as questões do amor

 Um dos livros mais estimulantes que li em minha vida foi “Metafísica do amor, metafísica da Morte”, editora Martins Fontes, do filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Na realidade o livro é um extrato de sua obra principal, “A vida como vontade e representação”.

Dissecando as motivações instintivas pela qual nossas atitudes são geridas, Schopenhauer desnuda o animal humano e demonstra de maneira clara e surpreendente como as leis biológicas imperam sobre nós humanos, com o mesmo rigor que nos ratos.

As leis que gerem tudo em nosso comportamento, como em qualquer ser vivo, são seqüencialmente: A Sobrevivência e a Reprodução.

Mas se por um lado a natureza é tirana em busca de satisfazer estas duas leis, nós humanos temos uma diferença bastante relevante com relação aos demais animais: um cérebro extremamente desenvolvido, capaz de realizar trilhões de sinopses a cada minuto, de armazenar bilhões de símbolos e criar com todo este aparato significados de vida e simulações de acontecimentos que está fora do alcance direto da tirania da natureza.

Amor, saudades, vingança, compaixão, paixão, ciúmes, etc., são manifestações instintivas moldadas, disfarçadas e embaladas para presente pelo nosso cérebro como se fossem valores universais e atemporais, que sempre estiveram por ai, mas não são. Estes são fruto da capacidade do nosso cérebro de imaginar e criar maior significância às nossas atitudes que repito, são motivações instintivas.

Vontade de Vida é vontade de sobrevivência e reprodução. É manifesto de perpetuação da espécie, seja humana, seja eqüina, seja anfíbia. Para a espécie é necessário que todos morramos, assim como que todos continuemos a reprodução, com o fim exclusivo da perpetuação da mesma, jamais a perpetuação do individuo, pois para a espécie somos um meio, não um fim, somos até certo ponto irrelevantes como seres individuais. A perpetuação da espécie depende da mortalidade do individuo, ai está o verdadeiro fundamento da morte.

Portanto, é perfeitamente possível se apaixonar por um par perfeito para a reprodução (e nossos instintos avaliam o objeto de desejo do ponto de vista da capacidade genética), porém do ponto de vista de personalidade ser extremamente dispare, sem nenhuma afinidade ou valor em comum. Aqui jaz a raiz da infelicidade, como diz a famosa frase deste autor que eu tanto venero: “Amor e Felicidade raramente caminham juntos” (amor no sentido de reprodução e cuidados da prole, que é o objetivo instintivo final de uma união). Existem sim casais felizes, felizes de verdade, apaixonados por muito e muito tempo, misto de desejo instintivo e afinidade pessoal. Porém, é raro, diria extremamente raro, pois esta não é a regra, é a exceção. Avalie à sua volta aqueles que conhece bem, que realmente se abrem para vocês, e vejam quantos são felizes de verdade.

A natureza não reconhece os desejos e anseios da nossa imaginação, os valores da nossa educação, nem a nossa busca idealizada de um par perfeito. A natureza força a união genética e é de seu único interesse o bem da espécie, ignorando totalmente os desejos individuais e subjetivos dos amantes. Este é o grande paradoxo da vantagem de pensar sobre os demais animais, se de um lado liberta e imputa muito mais significado a vida, por outro finca no coração de todo ser humano a estaca da angústia, do paradoxo entre o instinto contra o ideal e a moral.

Bem, se agüentaram ler esta resenha até aqui é porque são persistentes e principalmente pacientes, ou são meus amigos dedicados,  já que não tenho como principal atributo a capacidade de fluir agradavelmente em escrita os meus pensamentos, agradeço sua dedicação e aproveito sua inspiração para mais dois parágrafos, sem abusar respira fundo e conta até dez.

Ainda está aqui? ótimo, então vamos lá. Apesar de toda a angústia gerada por estas leis e nossos ideais, você deveria, ou ao menos eu sugiro que me pergunte: - Afinal de contas, após todo este blá blá blá, qual sua opinião sobre esta tese? Respondo com todo o prazer: Adoro a vontade de vida, com todas as suas manifestações boas ou más e apesar de ser ateu e acreditar apenas nesta vida, ela vale muito a pena ser vivida com toda a força, apesar de todas as angústias, da irrelevância subjetiva e da solidão que no fundo todos sentimos. E o melhor, a vontade de vida é uma manifestação contínua, é um ciclo, e sinceramente é sempre uma grande alegria e êxtase quando ela se manifesta.

Se após ler esta reflexão sobre vontade de vida você sentiu foi vontade de morrer, motivada pela irrelevância e a perda de tempo pela má qualidade do texto, peço desculpas e sugiro que se você teve certo interesse neste filósofo monumental que beba desta água na própria fonte. 

 



Escrito por Paulo Cesar de Oliveira às 16h33
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